Bíblia & Literatura - I (O Conde de Monte Cristo)

Olá, sejam bem-vindos a um projeto que inauguro com muita felicidade. Uma das minhas maiores paixões é ler, e principalmente livros de ficção. O objetivo do projeto é mostrar como princípios bíblicos podem ser achados em grandes histórias narrativas. Sei que a intenção de Alexandre Dumas, autor do livro O Conde de Monte Cristo, não é fazer um reconto da história de Cristo em sua totalidade, aliás, há apenas alguns poucos pontos em acordo, mas ainda assim é possível criar essa relação.

Em certa noite, depois de ter lido certa parte do livro, qual não foi a minha surpresa perceber que uma parte do que tinha acabado de ler estava moldando a minha oração em seguida? Gostaria de compartilhar a experiência.

O Conde de Monte Cristo
Parte IV, capítulo IV
"Mas então pegue"

"Diabos", disse Monte Cristo consigo mesmo, "será que topei com um homem sem ambições? Por Deus, seria muito azar."

Assim como o próprio Conde viria a constatar em seguida, não há, realmente, homem que não tenha ambições - um punhado de terra, um cargo, família, sucesso, reconhecimento... No caso do homem a quem o Conde se dirige, sua ambição era ter um lugar espaçoso para praticar agricultura.

"Aqui estão outros 10 mil francos - ele disse -. Com quinze mil francos que estão no seu bolso temos 25 mil. Com 5 mil francos, o senhor comprava uma bonita casinha e duas jeiras de terra: com os outros 20 mil, terá mil francos de renda.   
- Uma gleba de duas jeiras?   
- E mil francos de renda.   
- Meu Deus! Meu Deus!    
- Mas então pegue!"


Assim o Conde faz a sua oferta se baseando naquilo que tal homem gosta. Deus também faz a sua oferta ao homem baseado naquilo que o próprio homem mais almeja: liberdade, felicidade, eternidade, satisfação....

Isaías 55:1 - 3" Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.2 Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares.3 Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi."

Vinde às águas significam também o "Vinde a mim" que o próprio Deus diz. O problema é que nos contentamos com muito pouco. Como Lewis retrata, nos contentamos com punhados de lama, quando nos é ofertada uma ida à praia, à imensidão do mar. O sucesso que queremos é muito pouco, a felicidade que buscamos é muito pouca, assim como a pretensa liberdade, pois nos contentamos com as visões que o mundo oferece, no lugar de nos saciarmos do próprio Deus. 


O sujeito que na história até então trabalhava num telégrafo, soube reconhecer algo melhor, uma oferta superior. É verdade que titubeou, mas no fim, ele reconhece onde encontraria mais alegria. Quanto a nós, apesar de dizermos que queremos boas, quando de fato elas nos são propostas, veementemente as recusamos. As palavras do Conde: "MAS ENTÃO PEGUE", podem ser consideradas como o próprio Deus nos dizendo "Mas então pegue".


"Pegue o perdão que há em mim para os seus pecados, pegue a eternidade que lhe ofereço, a assentar-se à minha mesa, a felicidade imensurável...", mas, independentemente do que nos seja oferecido, não temos a mesma capacidade que o então jardineiro teve, de reconhecer por si mesmo a sua necessidade, a sua miséria, a nova vida que lhe era oferecida. O desejo era dele mesmo e o Conde só o saciou.



No nosso caso, a obra de Deus é mais extensa do que apenas saciar-nos. Ele vai além, pois precisa, de fato, fazer a oferta e criar esse desejo em nós por Sua oferta, pelas coisas celestiais, por Ele mesmo. Ele cria o desejo em nós, para que Ele mesmo possa saciá-lo.


"porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade." Filipenses 2:13


De nada adiantaria Cristo falar: "Mas então pegue" para nós, no que concerne a totalidade da comunhão com Ele, se Ele mesmo não mudasse o nosso coração para que queiramos agarrar o que Cristo já adquiriu por nós. Oro sempre para que Deus me faça desejar o que Ele tem a oferecer, o que Ele já ofereceu na cruz, o seu próprio Filho. Oro sempre para que Ele me faça desejar cada vez mais a Cristo. 

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